Linha Artistas 2019

A linha artistas fala de vinhos de precisão, vinhos de Terroir, que expressem as características de sua variedade e de sua região de origem. Vinhos dirigidos a consumidores que busquem vinhos sérios e precisos. O nome da linha é uma homenagem aos artistas que irão desenvolver os rótulos a cada ano.

 

Um artista será convidado para que desenhe e expresse sua arte e percepção sobre as etiquetas e a essência de Arte Líquida.

Os vinhos da safra 2019 tiveram sua arte desenvolvida pela artista e ceramista Dudi Ribeiro. Natural de Sarandi, adotou Gramado como sua cidade base há mais de quarenta anos. Casada com Jorge Ribeiro, mãe de três filhos, Cris, Ramiro e Rafa, avó de quatro lindas netas, Bárbara, Vitória, Anita e Marina. Formada em Belas Artes pela UCS passou a buscar um estilo próprio na cerâmica. Após vários cursos, desenvolveu técnicas combinando tintas, óxidos, corantes e outros elementos e com diversas temperaturas obtém resultados surpreendentes. Divide sua arte em duas linhas: Arte per Dudi. “Inspirada em fragmentos em que a argila na sua própria reação ao fogo apresenta, surgem efeitos e formas inesperadas. No segmento da Arte per Dudi – Fragmentos da Arte, deixo fluir a energia e não considero teorias ou técnicas, apenas deixo que um impulso desconhecido conduza minhas mãos. É o calor do fogo que faz o resto, é a combustão sobre a matéria e quando tudo se acalma e esfria e a argila enfim descansa ai sim vem o surpreendente.”. Na linha Cerâmica de Utilitá, peças utilitárias com um toque de arte, mesclando cerâmica, rottin, junco, palha...É uma linha com peças variadas, com jogos de fondue, jogos de chá... Enfim, peças para os amantes da culinária que não abrem mão de beleza na cozinha.

“Quando meu filho Cris me falou de que artistas seriam convidados para participar do processo de criação dos rótulos da Arte Líquida e que eu seria a primeira, tive certa insegurança, pois acostumada com esmaltes vitrificáveis, teria que fazer uso de materiais diferentes para ter um resultado que pudesse ser usado na finalização da arte dos rótulos. Saí de minha zona de conforto e parti para aquarela, crayon, paste... Enfim, consegui um resultado que pudesse ser usado. Foi desafiador mas emocionante fazer parte desse momento da Arte Líquida e ver meu trabalho gravado no vidro das garrafas do vinho, material que é o início de minha arte, vidro em pó”.

Dudi Ribeiro

REISSEN

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De todos os vinhos elaborados em 2019 no projeto Arte Líquida, este branco com certeza é o que mais sintetiza o objetivo que buscamos nesta linha Artistas. Precisão, caráter varietal, longevidade, acidez cortante, ou, como se diria no alemão antigo, Reissen. 

O nome deste vinho foi uma homenagem ao amigo e produtor Rolf, dono de uma propriedade lindíssima no município de Nova Petrópolis, RS, na linha Nove Colônias. Responsável por nos entregar uvas da variedade Riesling Renano, um dos poucos produtores no Brasil que a possui. Como a uva entrou com uma qualidade altíssima, isso nos permitiu elaborar este branco com grande precisão e mínima intervenção, praticamente acompanhamos a natureza fazer seu trabalho naturalmente dentro da cantina.

Lembro vividamente uma conversa que tive com Rolf sobre o estilo do vinho que gostaríamos de elaborar e ele apenas me alertou: Não tentem elaborar um Riesling Renano seco, sua acidez será indomável, poucos entenderão. Na Alemanha guardamos um pouco do mosto doce e cortamos com o vinho pronto para ´suavizá-lo´. Quando discuti isso com o Matias ele simplesmente refutou. “De maneira alguma, faremos um branco cortante, como uma flecha” disse isso simulando um arco e flecha com as mãos. Nunca mais esqueci esta cena. Assim nasceu REISSEN, um branco para os fortes.

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COVARDE

Lançamento previsto para 2021
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Desde o primeiro momento, quando concebemos o projeto Arte Líquida, tínhamos certeza de uma ideia, gostaríamos de vinificar um grande Cabernet Franc, variedade que para nós, será uma das mais importantes no Brasil. Partimos em busca de nossa uva. Novamente, surge em nosso caminho o ano de 2019, difícil, chuvoso, pouca maturação. Nestas idas e vindas, faço contato com o “tio Mauro” da Casa Fontanari, localizada no munícipio de Pinto Bandeira, local que sempre soube encontraria um grande Cabernet Franc. Quando fui visitar o vinhedo me deparei com uma cena que me surpreendeu, um vinhedo em Latada! Sim, respondeu Tio Mauro com tranquilidade, um vinhedo em latada com 40 anos de idade que já passou por todas as intempéries  que esses vinhedos bonitos em espaldeira não conseguem enfrentar! E mais, disse ele, com uma poda cuidadosa para controle da massa foliar e uma seleção cuidadosa dos cachos que farei para vocês, entregarei uma uva de qualidade mesmo em um ano difícil.

Lembrei de uma frase que escutei do Matias alguns anos antes: “El mundo del vino no és para cobardes!”

Compramos a uva. Tio Mauro cumpriu sua promessa, não pegamos sequer um cacho estragado ou com podridão. Com as uvas ali na frente veio a pergunta, como vinificaria este tinto. Sozinho, Matias já estava de volta à Argentina, as dúvidas surgiam. Eu tinha muito desejo de elaborar um tinto em tanque aberto, com engaços, esmagamento por pisa e pigeages manuais, um Franc elaborado pela escola antiga. Algumas semanas antes tínhamos perdido um branco em um processo parecido, a volátil nos pegou. Matias me alertou por whats, não tente elaborar novamente desta forma, arriscado, precisa de mais experiência, vinifique de uma forma mais segura em um tanque fechado. No entanto, com as uvas ali na minha frente, lembrei novamente da frase: “El mundo del vino no és para cobardes!”. Desinfetei e sanitizei o tanque aberto (uma caixa d’água para ser mais preciso). Jogamos as uvas para dentro e, em três pessoas, íamos pisando as uvas com nossos pés. Depois disso, três a quatro vezes por dia, fazia piegages manuais por cerca de 10 a 15 minutos e ia tirando os engaços, o máximo que podia. Terminada a fermentação após aproximadamente 9 dias, fizemos a sangria do vinho “flor” e prensamos suavemente o bagaço com uma prensa manual vertical descontínua.

O que conseguimos foi este Franc incrivelmente elegante, típico varietal. A safra difícil se mostra neste vinho com corpo mais ligeiro e álcool baixo.

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